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Encruado - blog do Nelson Alexandre


O EXORCISTA

Hoje é uma daquelas noites em que vou chegar

em casa como se fosse um fantasma

branco

pálido

como se fosse a própria luz

que me falta.

Tô nas trevas

pedindo arrego pra qualquer uma que me queira dar.

Na madrugada assistí ao filme "O Exorcista"

e cuspi na cara do padre Karras,

me transformei na coisa mais pueril e nojenta

como o vômito verde que Linda Blair

também mandou na cara do padre.

Agora são quase nove da noite

e não bebi e nem fumei nada.

Ando com os sentidos limpos

e o coração metralhado por picotadas de punhal.

Ei, Deus!

eu tô fodido e mal pago

cuspindo na cara dos seus heróis

e chamando Pazuzo de mestre.

Onde foi que eu cheguei?

Louco, completamente louco,

vendo filmes de demônios no meio da madrugada

desejando ser um deles também.

Ei, Deus!

Quando estiver com um tempinho,

Com a agenda menos lotada, por favor,

direcione os olhos pro Jardim Independência,

em Sarandi, Paraná.

Lá existe uma certa entidade que precisa muito mais de luz

do que de estabilidade financeira.

O quê eu vou fazer com um monte de dinheiro?

dar um tiro na cabeça e ficar deitado sobre ele?

Traga novamente o meu amor que ficou perdido na curva

do ribeirão Sarandi.

Traga novamente.

Na mesma velocidade do clic do controle de TV

quando resolvi apagar a imagem

daquilo que estou por me tornar.

 



Escrito por Nelson Alexandre às 20h46
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PLANTANDO E COLHENDO (Um diálogo idealizado)

 

Eu plantei um girassol na terra úmida

e depois disparei um tiro contra ele.

_ Que diabos é isso!? Alguém perguntou.

_ Quero matar a arte... eu disse.

_ Seu imbecil, você não vai matar a arte, apenas a vida!

Dei outro tiro.

_ E agora? Que merda é essa!? Ele perguntou novamente. 

_ Quero matar a vida. Respondi.

Ele olhou pra arma e disse:

_ Larga essa merda que eu farei o serviço.

Dei um terceiro tiro e ele caiu duro.

_ Não vai perguntar mais nada? Gritei.

_ Seu filho-da-puta... ele sussurou

_ Filho-da-puta é você. Retruquei.

Um segundo de silêncio.

_ Você ainda quer matar a arte? O candidato a defunto perguntou, já engasgando com sangue.

_ Sim... eu disse com paciência.

_ Pegue a minha mão, então, pegue!

Peguei sua mão.

_ Aproxime-se!

Aproximei-me.

_ Olhe pra mim!

Eu olhei.

Ele cuspiu na minha cara uma tela abstrata e então decidiu morrer.

 

 

 



Escrito por Nelson Alexandre às 17h11
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